sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Retiro de silêncio

Estivemos aqui, em silêncio e simpatia, por cinco dias. São João segundo o Padre Pedro. Laudes, vésperas e completas. E o Rosário.

Pelo meio, o silêncio partilhado, a 14... e o sítio que nos interroga.
Como este poço, manuelino, ao fundo de um jardim em buxo desenhado por Raul Lino. E olho o poço com atenção: os lintéis são calcáreo/mármore rosa. Foram então trazidos de longe, de bem longe, e há quinhentos anos.
Ou aquela torre de menagem ainda habitada...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Revista Paideia Educação


A Associação Portuguesa de Professores Católicos publica esta revista. É uma viagem autêntica ao tempo do linótipo, composto letra a letra, e ainda ao papel de costaneira. Deve ser das últimas a ser publicada com estes recursos. Custa um euro. Assina-se aqui. E é tão bonita.

Sobre o óleo da fritadeira


Da AMI: «Junte o óleo alimentar que usa na sua cozinha numa garrafa de plástico e entregue-a quando estiver cheia num dos restaurantes aderentes. Os restaurantes estão identificados e a lista completa está disponível em http://www.ami.org.pt/;

«Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar gratuitamente para o número 800 299 300 .
«Este novo projecto ambiental da AMI permitirá evitar a contaminação das águas residuais, que acontece quando o resíduo é despejado na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro. Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel, fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). Ao contrário do que por vezes acontece com o biodiesel de produção agrícola, esta forma de produção não implica a desflorestação nem a afectação de terrenos, nem concorre com o mercado da alimentação.
«As receitas angariadas pela AMI com a valorização dos óleos alimentares usados serão aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo, visando a melhoria da sua qualidade de vida.
Fundação AMI
Rua José do Patrocínio, 49 1949-008 Lisboa http://www.ami.org.pt/

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A história dos trastes



Pois é, os trastes têm uma história. Annie Leonard conta-a aqui:



E vale a pena ouvir, mesmo que em inglês.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Fátima revisitada em música

Este é o título, que "a priori" poderá parecer demasiado ambicioso, de um livro/ CD cuja primeira apresentação decorreu precisamente em Fátima no passado primeiro sábado de Maio... e que vem coroar a ideia original surgida no dia 7 de Outubro de 2007... dia de Nossa Senhora do Rosário!
Não me vou alongar em vastas considerações porque estou segura de que qualquer comentário sobre o assunto fica muito aquém do impacto que esta obra de apostolado terá sobre o leitor / ouvinte. De qualquer forma, gostaria de deixar ficar umas linhas sobre o que me parece ser a singular oportunidade deste trabalho surgir ao público no inicio da década que vai conduzir ao centenário das apariçoes da Cova da Iria.
Numa época em que os interesses materiais se sobrepõem cada vez mais aos valores do espírito é urgente redescobrir a mensagem de Fátima revelada a três humildes crianças que se esforçaram ao longo da sua existência (especialmente curta, no caso do Francisco e da Jacinta mas tão plena de graças divinas) mau grado os obstáculos e sofrimentos que tiveram de ultrapassar, de divulgar e pôr em prática os ensinamentos da "Senhora mais brilhante que o sol" que colocou Jesus Cristo no centro das suas vidas.
Depois de assistirmos à temática de Fátima tratada a nível pictórico, eis que surge outro tipo de interacção, a articulação da música e da palavra que resultam numa simbiose perfeita que leva os nossos corações a abrirem-se sem reservas à mensagem sempre actual e presente que a Senhora nos deixou em terras portuguesas. São, também, as nossas orações, as nossas súplicas, as nossas alegrias, os nossos sofrimentos que (re)encontramos ao longo do livro e dos 75 minutos de gravação e que torna esta obra tão familiar, como se a esperássemos desde sempre.
Este é um trabalho de apostolado que nos pertence desde já e também a todos os outros milhões anónimos que, com a Graça de Deus e o nosso empenhamento na divulgação, poderão vir a ser tocados e transformados pela mensagem de Fatima.
Que todos nós possamos ser também instrumentos de DEUS!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Os filhos dela


A mãe fica (sempre) até ao fim.
O fotógrafo espanhol Pep Bonet acompanha a Medecins sans frontieres e, na Somália, descobre-se o único país do mundo em que não há governo. A mãe ampara, olhos que já viram muito, habituados a ver nascer e morrer. Os olhos olham para dentro da humanidade, de nós todos, parecendo, só na aparência, perdidos.
É que na Somália é assim:




(fotografia de Pep bonet)


E no Darfur, a caminho do Sudão, as crianças dizem «Quando for grande quero estar vivo» .

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Um jantar

Na visita de S.S. Bento XVI a Washington e Nova Iorque há muitas coisas impressionantes a notar, deste Papa que nos tem dado muito.

À chegada, 15 de Abril, o Presidente veio recebê-lo à base militar de Andrews, coisa que G. W. Bush nunca fizera a nenhuma personalidade nos seus 7 anos de mandato.

Ora sucedia que para o dia seguinte, o dia aniversário de Ratzinger, 81 anos, estava organizado um jantar, no Salão Leste da Casa Branca.

Bento XVI não o incluiu na agenda e de facto lá não esteve presente.

A ausência sabia-se pelo menos desde 11 de Abril, pelo porta-voz da Casa Branca, cujo embaraço é curioso de acompanhar.

Nenhum alegado conflito na agenda papal escondeu o assunto sob o manto da diplomacia: à hora do jantar, 19h30 locais, Bento XVI já descansava na Nunciatura Apostólica de Washington.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Um sacerdote

O Padre Fernando Belo, um coração pleno de amor em Almada, completa hoje 70 anos. Sim, é verdade, e não parece. Bem haja, com a sua elevadíssima urbanidade, calor, entrega, e capacidade de chegar a todos, dos mais pequeninos aos mais velhos. Assim nos possa acompanhar muitos anos mais.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Uma carta

Caffarel em Roma, 1965

H. Caffarel em 1965



«Utilizai então este teste: Durante um dia apenas, esforçai-vos por despistar todas as mentiras que se escondem nas vossas atitudes, nas vossas palavras, nas vossas cartas, nos vossos gestos, nos vossos silêncios, nos vossos pensamentos, nas vossas orações, para com a vossa mulher, os vossos filhos, a vossa porteira, as pessoas que encontrardes, para com vós mesmos (porque mentimos também a nós mesmos, e não menos do que aos outros), para com Deus (...). Se não ficardes horrorizados à noite, no fim desse dia, é porque sois um santo, a menos que não sejais um cego. E, nesta segunda hipótese, o vosso caso é grave.»

do editorial da lettre mensuelle nº 4, 1948.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A idade da humildade

Sobre a idade longa, disse Bento XVI, de improviso, na homilia durante a Santa Missa celebrada no Centro Internacional Juvenil São Lourenço, a 13 de março 2008:


«...Poderíamos dizer que toda a ciência, sobretudo a medicina, é uma única e grandiosa luta pela vida. No fim de contas, a medicina é a procura da oposição à morte, é a busca da imortalidade. No entanto, podemos porventura encontrar um remédio que nos garanta a imortalidade? É precisamente esta a questão do Evangelho hodierno. Procuremos imaginar que o remédio chegue a encontrar a receita contra a morte, a receita da imortalidade. Mesmo neste caso, tratar-se-ia ainda de um remédio inserida na biosfera, indubitavelmente um remédio útil também para a nossa vida espiritual e humana, mas por si só um remédio limitada a esta biosfera. É fácil imaginar o que aconteceria, se a vida biológica do homem não conhecesse ocaso, se fosse imortal: viveríamos num mundo envelhecido, um mundo cheio de idosos, um mundo que não reservaria mais espaço aos jovens, à renovação da vida. Deste modo, compreendemos que este não pode ser o tipo de imortalidade ao qual aspiramos; não é esta a possibilidade de beber da fonte da vida, que todos nós desejamos. Precisamente nesta altura em que, por um lado, compreendemos que não podemos esperar um prolongamento infinito da vida biológica e todavia, por outro, desejamos beber da própria fonte da vida para gozar de uma vida sem fim, é exactamente nesta altura que o Senhor intervém e nos fala no Evangelho, dizendo: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre". "Eu sou a Ressurreição!": beber da fonte da vida significa entrar em comunhão com este amor infinito, que é a fonte da vida.
Encontrando Cristo, entramos em contacto, aliás em comunhão com a própria vida e já atravessamos o limiar da morte porque, para além da vida biológica, entramos em contacto com a verdadeira vida. Os Padres da Igreja definiram a Eucaristia como remédio da imortalidade. E é assim, porque na Eucaristia nós entramos em contacto, aliás em comunhão com o corpo ressuscitado de Cristo; entramos no espaço da vida já ressuscitada, da vida eterna. Entramos em comunhão com este corpo, que é animado pela vida imortal, e vivemos assim desde já e para sempre, no espaço da própria vida. E de tal forma, este Evangelho é também uma profunda interpretação do que significa a Eucaristia, convidando-nos a viver realmente da Eucaristia para podermos ser deste modo transformados na comunhão do amor. Esta é a vida verdadeira. No Evangelho de João, o Senhor diz: "Vim para que tenham vida, e a tenham em abundância". Vida em abundância não significa, como alguns julgam, consumir tudo, ter tudo e poder realizar tudo o que se deseja.

Em tal caso, viveríamos para as coisas mortas, viveríamos para a morte... »

Fonte: L'Osservatore Romano

terça-feira, 18 de março de 2008

Sem idade

No ano em que perfazem 100 anos, ou mais, vivos e activos, curvo-me perante:



Assim Deus os queira e guarde com esta excepcional actividade a que nos bem habituaram.



Niemeyer aos 100 anos
Oscar Niemeyer aos 100



Isto, pensando neste Dom, a idade, que nos vai chegando. Mas há os menos afortunados, os que chegam a esta Idade Maior com menos qualidade, com filhos também idosos, a rondar os 80, e até mesmo com netos acima dos 50. Tudo isto dá que pensar: afinal o avançar médio da idade pode ser também uma das novas Torres de Babel, edificada pela vaidade de dominar a Natureza.



Levi-Strauss - Julio Pomar


Lévi-Strauss, por Júlio Pomar


Mas aí há um outro Dom: o de, durante a maior parte da vida, se sentir o peso do corpo, o peso da oferta, o peso do pó.




Manoel e Isabel de OliveiraManoel e Maria Isabel de Oliveira, O Enigma, 2007.



E porque um Dom recebe-se Dele, é por isso irrecusável. Mas o espaço para o arbítrio também é Dom, decerto aquele mais irrenunciável: o que fazer, do cimo deste corpo, desta idade?



Cartaz O Enigma
N'O Enigma, o personagem desempenhado por Maria Isabel
pergunta ao de Manoel: «Mas tu gostas mesmo de mim?».
É de improviso que se adivinha, e Manoel responde, sem palavras.
Mais tarde abre-lhe a porta do carro, junto ao mar.

Com idade



«O Presidente Nicolas Sarkozy presidiu ontem ao funeral do último poilu (veterano da I Guerra Mundial), Lazare Ponticelli, um imigrante italiano que entrou para a Legião Estrangeira aos 16 anos, em 1914, e morreu na semana passada, com 110 anos. Durante a presidência de Jacques Chirac, Ponticelli recusara ser enterrado num funeral de Estado. Mas pouco antes de morrer, disse que aceitaria uma cerimónia simples, em homenagem aos seus camaradas mortos durante a guerra. O veterano assistia, todos os anos, às comemorações do Armistício de 1918 em Kremlin Bicetre, um subúrbio de Paris, e recusou sempre os convites paras as cerimónias oficiais nos Campos Elísios. (...)»
(Do jornal Público, 18 Março 2008, p. 17.)


Do cimo desta idade, olha-se para os iguais com assombro e medo. A recriação de uma amizade, impossível para quem esteve lá, faz o nosso teatro, este mais duro e verdadeiro que qualquer Shakespeare: afinal o soldado alemão e o soldado francês abraçam-se. Quem são mais reais, estes mais recentes ou o mais idoso? O que viveu a guerra, ou o que veio meia hora antes da Pizza Hut, com pressa, para fazer esta sessão de fotografia? O que viveu a guerra, ou o que agora lê esta "curiosidade" no jornal?

Sem guerra, a futilidade. Com guerra, a futilidade. Com idade.

domingo, 16 de março de 2008

Um Compromisso




Do dia 9 de Março 2008, no Turcifal, entre outras coisas que não esqueceremos, ficou-nos também este livro. Conjunto de contos, escrito por quem nos lê por dentro e nos descreve, nós, ora fortes ora fracos, ora melhores, ora piores, sempre humanos. Por trás do texto, o desafio...
No frontispício uma nota de oferta, sem nomes, sem assinaturas. Muito para aprender.

Henri Caffarel, Nas Encruzilhadas do Amor. Estoril: Princípia Editora, Lucerna, 2008. ISBN 978-972-8835-48-4.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Uma aluna

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segunda-feira, 3 de março de 2008

Uma trabalhadora



Alcochete. Domingo. Um restaurante bem decorado com uma óptima vista sobre o Tejo.

A servir, uma menina com cerca de dez anos. Trazendo tudo, com timidez. A mãe viera ao início, recolher o pedido, e no final. Pensamos que estar a servir não é o lugar da menina. Que mesmo estando no restaurante, perto da mãe, há livros, brinquedos, outras coisas para fazer.

Interpelei a mãe com tacto mas com firmeza: se é sua filha, se não está longe da idade de trabalhar. Lembrei-lhe, entre frases, que era uma situação proibida e constrangedora para todos.

Surpresa do outro lado. Que não, que era episódico. Que estava ali no restaurante até com uma amiga. À saída reparámos, lá estavam as duas, a almoçar. Ao longe, uma ponte, com dez anos, que demora a trazer e a levar. E eu, a pensar se não deveria ter usado o Livro de reclamações. Ficou o benefício da dúvida.

sábado, 1 de março de 2008

Um trabalhador


Registado à pressa, com o meu telemóvel, na rua Rosa Araújo, Lisboa. Eram dois, os trabalhadores, ao início, sem arnês, cordas, ou andaimes. Aparentavam ser imigrantes. Um deles entretanto subiu o telhado para fora de alcance da imagem.
O edifício: Instituto da Vinha e do Vinho. O dia: 27 Fevereiro 2008. Hora: 18h00. O trabalho: colocar telhas novas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Uma mãe

"Uma estudante de 19 anos, grávida de cinco meses, abortou na residência da Escola Profissional de Torredeita, Viseu, onde frequenta um curso técnico de Contabilidade, estando a recuperar no hospital.
"O caso está a ser acompanhado pela PJ de Coimbra, que aguarda os resultados da autópsia do feto para tomar uma posição. A jovem terá tomado os comprimidos para abortar ainda no sábado e no domingo foi ao Hospital de Viseu por não estar a sentir-se bem. Segundo alguns colegas esta é a terceira vez que a estudante interrompe uma gravidez. A jovem, natural de Cabo Verde, terá tomado comprimidos para provocar o parto. Ao verem o feto, as colegas da jovem entraram em pânico e uma delas ligou para a GNR. Segundo uma colega, ‘Ana’ (nome fictício) pediu ajuda para ir à casa de banho, pois não estaria a sentir-se bem e o bebé foi expelido assim que ela se sentou na sanita. Neste momento, está internada no Serviço de Obstetrícia do Hospital de S. Teotónio, devendo ter alta dentro de dois dias.“Era um rapaz e estava vivo, vi um pezinho a balançar. Pedi uma toalha para o embrulhar e ela disse que era para o bebé morrer”, contou ontem ‘Ana’, adiantando ter colocado o recém-nascido “num balde limpo”. Segundo o director-geral da Escola Profissional de Torredeita, Arcides Simões, a aluna “tem um namorado no Algarve que costuma visitar aos fins-de-semana e nas férias” e este já terá sido “o segundo ou terceiro aborto que fez”, salientando que “não está implicado qualquer estudante ou funcionário da escola”. Na mesma escola mais duas alunas já foram mães e continuaram a estudar. "

no Correio da Manhã, 13/2/2008, pela Jornalista Isabel Jordão

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Arrábida

Estivemos este fim-de-semana em actividade com os nosso escuteirinhos na serra da Arrábida.
O tempo esteve óptimo e actividade correu muito bem - os miúdos são fantásticos.

domingo, 6 de janeiro de 2008

1, 2, 3...

Em teste.